Emoções embalaram a entrega do Oscar Honorário a Chaplin


Por Hallyson Alves

O dia 26 de fevereiro de 1972 foi histórico para a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, responsável pela entrega da Academy Awards, ou o conhecido Oscar. Foi o dia reservado para a entrega do prêmio especial, à Charles Chaplin, por sua "incalculável influência ao fazer do cinema a forma de arte do século". O público estava claramente emocionado em estar frente a frente com um dos maiores artistas do cinema. A ovação foi a maior da história do Oscar, doze minutos no total, nunca sendo superada, mesmo que já tenham se passado mais de quatro décadas desde o evento.

A homenagem (uma clara tentativa de Hollywood de reparar um erro histórico em esnobar o trabalho de Chaplin ao longo de décadas de acusações, em que diziam ser ele comunista), foi a segunda entrega da estatueta para o artista, que havia sido entregue, primeiramente, em 1929, pelo filme "O Circo".


Em seu livro "Chaplin - Uma biografia definitiva", David Robinson dá detalhes de todos os eventos que precederam ao dia da cerimônia de entrega do prêmio, que teve direito até ao reencontro casual com Jack Coogan (O Garoto), descrevendo, inclusive, as lágrimas que caíram no rosto de Chaplin, ao lembrar dos momentos vividos ao lado do ex-ator mirim.

(...)
Agora Jacckie era um homem careca, de 567 anos, que interpretava o Tio Funéreo da Família Adams. Chaplin mal o tinha visto desde que ele fora o Garoto, mas bateu os olhos nele e caiu em lágrimas. Eles se abraçaram e Chaplin disse: "Que prazer ver você, garoto".
Charlie e Oona Chaplin
Robinson ainda relata o momento anterior à aparição de Chaplin e Oona, quando ambos assistiam ao show no monitor de televisão do camarim e ficaram encantados com os amigos que reconheceram (ele tinha medo que ninguém aparecesse):

Quando ele aceitou seu prêmio, estava emocionado demais para balbuciar mais do que um "muito obrigado", mas conseguiu fazer um gracejo com um chapéu-coco, fazendo-o levantar da cabeça com fazia nos filmes mudos.


E então, como era de se esperar, o Oscar não fez com que Chaplin esquecesse de todos os desgostos que teve, com as perseguições que sofreu, por parte do governo dos EUA, que culminaram com o seu exílio:

Dois anos depois, distante da euforia, Chaplin comentou em seu livro My Life in Pictures: "Fiquei tocado pelo gesto, mas, de algum modo, havia certa ironia naquilo."
Os anos que sucederam ao Oscar foram de recorrentes convites à homenagens e premiações. O mundo inteiro soubera da condição de saúde de Chaplin e não queria perder tempo. Três anos depois da homenagem, ele esteve novamente em sua terra natal, Londres, para receber a maior honraria dada à um cidadão britânico: O título de cavaleiro da Rainha Elizabeth II.

Acompanhe esse momento histórico do Oscar:



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