"Tempos de Sorrir (Lembrança de Charles Chaplin)"

(Escrito por Diogo Rossi Ambiel Facini)

Sem falar nada
Você disse tudo:
Não valia a pena sofrer
(E como você sofreu).

O seu bigode
A sua bengala
O seu chapéu
Os seus sapatos
As suas roupas
A sua estrada ao por do sol.

Você foi tudo
E todos
Mas, sobretudo
Os muitos
Sem voz
Nesse mundo não tão mudo.

Correndo além da física
Saltando e dançando
Chutando traseiros
Um balé do povo
A vingança do garoto.

Encontrou os homens.

Educou as crianças
Salvou as abandonadas
(Quando tudo o que você queria
Era salvar-se de seu abandono)
E quando libertou o mundo
O mundo te recursou a liberdade.

Charlie
Chaplin
Carlitos
Vagabundo sem nunca sê-lo
Tentaram te anular
Roubaram seus brinquedos
Rasgaram suas roupas

Mas sua luz atravessou as frestas da ignorância.

Seu sorriso triste
Sua canção longínqua
Seus passos ao céu
Sobreviveram
Sua mágica sem mágica
Sobreviveu
Sua lágrima hesitante
Sobreviveu
Sua humana dúvida
Sobreviveu

E para além da história
Quando não houver mais cinema
E os homens (se assim o forem)
De tão lógicos
Perderem toda a lógica

Quando as suas imagens
Já cegas e mudas
Se apagarem em um suspiro de paz

Restará a sua lição
O seu gesto e o seu olhar

Em direção ao horizonte
(Já não tão distante)
Restará a sua lembrança:
O seu sorriso sobreviverá.

(03/09/2013)

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