The Freak: o filme inacabado de Charlie Chaplin

Por Hallyson Alves

Charles Chaplin tinha mesmo uma mente bastante inventiva. Até os seus últimos dias, concentrou-se na elaboração de roteiros e ideias para novos filmes. O cinema sempre foi a sua paixão.
O escritor e cineasta suíço, Pierre Smolik, teve acesso ao que seria o próximo trabalho de Chaplin, após Condessa de Hong Kong, que foi o seu último filme da carreira.
The Freak, conta a história de uma mulher-pássaro, capturada para ser exibida em Londres, como raridade. Trata-se de um conto de fadas, cômico, é verdade, mas com um final dramático (típico do cinema chapliniano).

Essa foi apenas uma ideia, pois nunca tornou-se um roteiro completo, mas possui diversos detalhes dos bastidores: cenários, diálogos e várias anotações de Chaplin. Todo esse material foi encontrado entre os documentos da família Chaplin, sendo organizado e editado, transformando-se em um livro: "The Freak, o último Filme de Chaplin". O livro tem edição francesa e inglesa, pela editora Call Me Edouard.
Capa do livro

Muitos fatos inéditos são revelados no livro, como a atriz cogitada para protagonizar a história: Victoria, filhe de Charlie Chaplin, nos seus 18 anos de idade. Segundo o autor do livro, a família ainda guarda as asas com penas de cisnes, a sete chaves.

Chaplin chegou a realizar alguns ensaios com Victoria

Em declaração à AFP, Michael Chaplin, filho de Charlie, revelou que havia lido o argumento pouco antes do pai escrever e relatou que era "um conto de fadas magnífico. Um sonho muito bonito". Além disso, Michael disse que a história deste filme tem sido uma espécie de segredo de família. “A família protegeu o argumento. Não queríamos que caísse noutras mãos”, acrescenta. Conta que foi em 2010 que Pierre Smolik, conhecido da família, pediu acesso à documentação de Chaplin. Começava assim a aventura de contar esta história.
Michael Chaplin. Fonte: AFP

Chaplin escreveu a sinopse da história em 1969, tinha 80 anos. Trabalhou no projeto nos dois anos seguintes, em sua casa, em Vevey, na Suíça. Fez as asas e chegou até a fazer alguns ensaios com Victoria, num estúdio no Reino Unido. Mas o filme, que contava a história de uma mulher olhada como aberração, devido às suas grandes asas, acabou não sendo concluído.

Seguindo o estilo chapliniano de fazer filimes, The Freak dividia-se entre o gênero comédia e drama. Uma mulher, com asas de pássaro, caía no telhado de um escritor que vivia no Chile. Ele a encontrava, a alimentava e dava-lhe o nome de Sarapha. Assim, a sua casa logo tornava-se um centro de peregrinação, tomado por pessoas curiosas em ver a "mulher-anjo", que ficou famosa por fazer milagres e curar doenças. Até que um dia Sarapha era sequestrada e levada para Londres, onde seria exposta perante o público, sedento em ver seus milagres. Não aguentando a vida que levava, Sarapha fugia, pois o seu maior sonho era voltar para o Chile, reencontrar aquele que a acolheu e lhe trouxe a felicidade. No entanto, ao regressar, ocorria um acidente e ela caía no Atlãntico, onde morria.
Pierre Smolik experimenta as asas de pena de cisne, que seriam utilizadas no filme.

Em Abril deste ano, na ocasião da inauguração do Museu dedicado à obra de Charlie Chaplin, alguns dos materiais que a família disponibilizou a Pierre Smolik, entre as quais as asas da mulher-pássaro que nunca chegou ao cinema, vão ser expostos.

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