Judeus e O Grande Ditador

Em sua época de sucesso, numerosos críticos e curiosos se preocuparam em tentar desvendar se Chaplin era de origem judaica ou não.

Com exceção do prenome de sua mãe, Hannah, tipicamente israelita, não há nada mais que confirme essa tese.
Em 1921, ele declarou: "Não sou judeu - porém estou convencido de que pelo menos uma pequena gota desse sangue corre em minhas veias".
Numa entrevista concedida em 1940, já se expressaria de uma forma diferente: "Eu me sentiria orgulhoso de ser judeu, mas não possuo uma gota sequer de sangue judeu. Por outro lado, tenho algo de cigano em minhas origens." (Em sua autobiografia ele conta que sua avó materna era cigana.)
Em certa ocasião, Chaplin rememora que Cecil B. de Mile havia-lhe dito: "É perigoso numa época como esta querer fazer graça à custa da guerra".
Mas a ideia o excitava, muito mais porque, algum tempo antes, em Augusta - uma cidade note-americana -, vendendo bônus pró-guerra, um juiz local lhe dissera: "O que me agrada em você é o seu conhecimento do que é fundamental. Você sabe que a parte menos digna de uma pessoa é o seu traseiro. E suas comédias provam isso. Quando dá um pontapé no traseiro de um senhor pomposo, você o priva de toda sua dignidade..."

"Não resta a menor dúvida - respondeu Chaplin -, a bunda é a sede da nossa dignidade..."

Curiosidade: Em outubro de 1940, Chaplin lança um dos seus maiores sucessos: The Great Dictator (O Grande Ditador. O filme foi uma antevisão do maior genocídio da história, praticadoo pelos nazistas. Mais tarde Chaplin diria: "Se eu tivesse conhecido os verdadeiros horrores dos campos de concentração alemães, jamais poderia ter realizado um filme como O Grande Ditador - a ridicularização da loucura homicida dos nazistas. O que eu quis foi mostrar o absurdo do discurso a favor dasraças de sangue puro".







Fonte: O Pensamento Vivo de Chaplin (Martin Claret, 1984)

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