O Encontro entre Charles Chaplin e Ghandi

Uma foto histórica

Gandhi, durante a juventude na Inglaterra, por volta de 1889 (ano do nascimento de Chaplin), cursou a faculdade de Direito em Londres. Quando voltou à Índia, em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele não obteve êxito ao exercer na Índia sua profissão legal, como advogado, devido sua timidez. Assim, ele aproveitou a oportunidade de ir para a África do Sul, durante um ano, representando uma firma hindu, no Natal, durante um processo judicial naquela terra.

Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia, em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida, e em 1906 levou o juramento de Brahmacharya para o resto da vida dele.

Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei, Irwin, em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A Desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa; e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.




Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, Gandhi falou que a força não violenta é um modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não queria somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. No exercício de humildade, se recusou a ficar em um hotel durante as 12 semanas e escolheu permanecer entre as classes trabalhadoras do West End.

De que falaram esses dois gênios?

Sobre a industrialização da Índia. Depois de passarem por uma multidão, se cumprimentaram e ficaram sozinhos, em uma sala de estar. Depois de sentar, Chaplin perguntou à Ghandi: "Por que não és a favor das máquinas?". Durante vinte minutos falaram sobre máquinas e industrialização e, depois, Chaplin acompanhou Gandhi em suas orações, sentando com ele no chão.

Em declarações posteriores, Chaplin explicou: "Eu lhe disse que pensava que o ponto de vista indiano era diametralmente oposto à do Ocidente e que seria muito fácil para pessoas como eu conciliar ambas as visões. Admito que o Sr. Gandhi e eu não vemos as coisas de modo igual. Não fui capaz de acompanhar tudo o que me falou, mas eu estava ansioso para transmitir que as máquinas fazem parte do patrimônio da humanidade e que não podemos separarmos completamente da sua utilidade. Penso - acrescentou Chaplin - que aprecio o ponto de vista oriental, e creio que o Sr. Gandhi entendeu o ponto de vista ocidental um pouco melhor, antes de havermos terminado."


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Era Charles Chaplin ateu?

O caso do roubo do túmulo de Chaplin (1978)

A questão de gênero no filme Tempos Modernos (Chaplin, 1936)