O Encontro entre Charles Chaplin e Albert Einstein

Charles Chaplin e Albert Einstein, na estreia do filme "Luzes da Cidade", em 1931.


Chaplin sempre teve admiração pelos cientistas e pensadores em geral. Em sua autobiografia, comenta sobre o seu primeiro encontro com Albert Einstein, ainda em 1926, enquanto o cientista participava de conferências na Califórnia. Assim escreveu:

Para mim, cientistas e filósofos são, no íntimo, grandes românticos que canalizam noutro rumo as suas paixões. Essa ideia calhava bem com a personalidade de Einstein. A sua aparência era a de um típico alemão dos Alpes, nomelhor sentido, jovial e acolhedor. Senti que sob os seus modos calmos e afáveis se escondia uma índole profundamente emotiva e que provinha daí a sua extraordinária força intelectual. (CHAPLIN, 1964, p. 372)

Na sua visita a Hollywood, nos anos trinta, Einstein causou uma verdadeira loucura midiática. Um dos muitos que se renderam ao charme do físico foi Charlie Chaplin que o convidou para a estreia do seu filme Luzes da Cidade. Conta-se que, enquanto circulavam pelas ruas da cidade e, os transeuntes aplaudiam os dois grandes senhores, Chaplin teria se virado para Einstein e dito: «As pessoas aplaudem-no porque nenhuma delas o entende e aplaudem-me porque todos me compreendem».

Na ocasião do encontro, um fato curioso foi compartilhado com Chaplin, pela esposa de Einstein, sobre como foi concebida a famosa Teoria da Relatividade:

(...) a sra. Einstein chamou-me à parte e cochichou:
- Por que não convida o professor a ir à sua casa? Sei que ele gostaria de uma boa prosa sossegada, só entre nós.
(...) Ao jantar, contou-me ela a história da manhã em que Einstein concebeu a teoria da relatividade.
Nesse dia, desceu paa o café da manhã, metido no robe de chambre, como de hábito, porém não comeu quase nada.

- Pensei que ele estivesse indisposto e perguntei-lhe o que havia. "Querida" - respondeu ele -, "tive uma idéia maravilhosa!" Bebeu o café, encaminhou-se ao piano e começou a tocar. De vez em quando, parava, escrevia uns apontamentos e repetia: "Tive uma idéia maravilhosa, estupenda!" Então, eu lhe disse: "Por amor de Deus, explique-me o que é, não me deixe assim em suspenso." E ele: "É coisa difícil, que ainda me vai dar trabalho."

Contou-me que Einstein continuou a tocar piano e a tomar notas por mais uma meia hora, depois subiu para o gabinete, dizendo que não queria ser perturbado, e lá ficou por duas semanas.

- Todos os dias eu lhe mandava as refeições e à noite ia ele andar um pouco, para fazer exercício, porém logo tornava ao trabalho. Até que, afinal, desceu do gabinete, muito pálido. "Aqui está", disse-me, pondo em cima da mesa, com ar de cansaço, duas folhas de papel. E era a sua teoria da relatividade. (CHAPLIN, 1964, p. 373)


Curiosidade:

Einstein teria pedido à Chaplin que lhe possibilitasse um encontro com a atriz Paulette Goddard, até então esposa de Charlie, sendo possuidora de um "belo rosto, de um altíssimo nível", segundo o próprio Einstein.

Referências:

«Effects of External Sensory Input on Time Dilation.», A. Einstein, Institute for Advanced Study, Princeton
CHAPLIN, Charles. Minha Vida. Rio de Janeiro. José Olympio Editora, 2011.

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