Biografia

Uma Breve História do Gênio do Cinema

Por Hallyson Alves

O jovem Charles Chaplin
Charles Spencer Chaplin é, para grande parte dos críticos da sétima arte, um dos maiores ícones do cinema mundial. Testemunhou os primeiros momentos do cinema hollywoodiano, tornando-se, além de ator, diretor, roteirista, compositor figurinista e, posteriormente, produtor e financiador dos seus próprios filmes. Criou um personagem que o levou a ser reconhecido em todo o mundo: o vagabundo (The Tramp), um simpático homenzinho, sem condições financeiras, porém de grande dignidade de cavalheiro, trajando grandes sapatos, calça folgada e casaco apertado, um chapéu-coco, bigode e uma bengala de bambu. Com esse personagem, Chaplin ganhou notoriedade em todas as salas do cinema do planeta e sua silhueta ainda é reconhecida nos dias de hoje.

Nascimento e infância

Charlie Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889, Walworth, subúrbio de Londres. Nasceu de uma família de artistas, sendo seu pai, Charles Chaplin, e sua mãe, Hannah Harriette Hill, artistas do Music Hall londrino. Teve uma vida difícil, sobretudo após a separação dos seus pais, tendo sua mãe ficado com ele e seu irmão Sidney. A separação e a vida miserável que tinha fez com que sua mãe passasse por sérios problemas psiquiátricos. Por essa razão, Chaplin e seu irmão mais velho tiveram que viver em um abrigo para crianças órfãs, a Escola Hanwell, em Londres. Mesmo debilitada, Hannah continuava a se apresentar com seus números musicais e de dança, até que, em 1894 não conseguiu subir ao palco. Nesse impasse, coube ao pequeno Charlie, aos 5 anos de idade, cantar e representar de acordo com os ensaios que via da sua mãe. Sua estréia foi um sucesso. Todos os que estavam presentes se encantaram como pequeno inglesinho que cantou e dançou com propriedade de quem sabia cada letra e cada passo do espetáculo. O resultado da apresentação foram milhares de moedas jogadas ao palco, confirmando o bom desempenho de Charlie.
O pequeno Charlie (centro)
A sua biografia oficial conta que “Charlie” Chaplin, quando criança, contraiu uma séria doença, que o fez ficar de cama por um tempo. Durante esse período, sua mãe ficava próxima à janela, representado o que acontecia do lado de fora da casa, para que o pequeno Chaplin soubesse o que se passava.
O seu irmão Sidney, assim como Chaplin, gostava do mundo artístico. Por influência da mãe e do irmão, aos 11 anos Charlie se apresentou numa peça chamada Cinderela, através de pantomimas, no “London Hippodrome”, em 1900.
Aos 12 anos de idade, Charlie perdeu o seu pai, devido ao vício que o mesmo tinha em beber. O próprio Chaplin conta que sua relação como mesmo nunca foi boa, e as melhores lembranças que guardava da infância estava ligada à figura da sua mãe Hannah.


O cinema

Após alguns papéis em pequenas companhias, Chaplin participou da Companhia de Fred Karno, Slapstick. Foi com a trupe de Karno, em 2 de outubro de 1912, que ele conheceu a América, terra que adotaria como morada e fonte para suas grandes produções que aconteceriam num futuro breve.
Nos Estados Unidos Chaplin seguiu sua turnê, até ser observado pelo produtor de filmes Mack Sennett, da Keystone Filme Company. Chaplin, fascinado pelo cinematógrafo, passou a realizar seus primeiros filmes. Criou o seu personagem chave da sua carreira na Keystone, obtendo um grande sucesso e possibilitando uma maior participação sua na produção dos mesmos. Após sua fase na Keystone, ainda passou por dois outros estúdios, a Essanay e a Mutual, onde afirmou ter sido o período mais feliz da sua carreira. Foi na Mutual que Chaplin filmou 12 curta-metragens, incluindo O Imigrante (1917).
Em 1918 passa a realizar filmes pela First National, na qual permite-lhe ter o seu próprio estúdio, com sua própria equipe fixa. Em sua autobiografia, Chaplin deixa claro que o tempo em que passou na First National não foram muito agradáveis, tendo sucessivos embates ideológicos com os empresários da mesma.
O Garoto (1921)
O sonho de ter o seu próprio estúdio logo tornou-se real. Em 1919, Chaplin fundou a United Artists, juntamente com seus amigos Douglas Fairbanks, Mary Pickford (ambos casados) e D. W. Griffith, três artistas hollywoodianos com um objetivo em comum: Ter o domínio dos seus próprios filmes, tanto financeiro como técnico. Foi na United Artists que Chaplin produziu seus filmes mais famosos, a exemplo de Tempos Modernos (1936)
Em 1928, no auge da sua carreira, Chaplin perde a sua mãe, Hannah, em 1928. Após passar por sérios problemas mentais, tendo sido internada no Asilo Cane Hill e, posteriormente, ido morar junto ao artista, a mesma falece.
Charles Chaplin e Oona - A companheira que esteve com ele até seus últimos dias de vida

O Exílio e o Oscar Honorário

Em 1952, Chaplin e sua família viajam à Inglaterra. Entretanto, recebe um comunicado de que seu retorno aos EUA estava proibido pelo Serviço de Imigração. A justificativa era de que o artista mantinha laços estreitos com o comunismo. Desse período em diante Chaplin decide morar na Suíça, onde estabelece residência numa bela mansão em Vevey.
Em 1972, saiu do exílio especialmente para receber o Oscar Honorário, pelo conjunto da obra (em 16 de Maio de 1929, já havia ganhado um Oscar, pelo filme “O Circo”). Na ocasião, Chaplin foi ovacionado pelo público presente, tendo falado apenas algumas poucas palavras:

Oh, muito obrigado. É um momento emocionante para mim e as palavras parecem tão fúteis, tão frágeis, eu só posso dizer que agradeço a honra de me convidarem para vir aqui e ... oh, vocês são maravilhosos, boas pessoas. Obrigado.

O título de “Sir”, morte e seqüestro do corpo

Em 4 de março de 1975 recebe das mãos da Rainha Elizabeth II o título de Cavaleiro Real, passando a ser chamado de Sir Charles Spencer Chaplin.
Na noite de Natal do ano de 1977, na sua mansão em Vevey, Chaplin falece aos 88 anos de idade. Ao que parece, estava dormindo quando sofreu um derrame cerebral. Foi enterrado no Cemitério Corsier-Sur-Vevey. Após três meses do sepultamento, seu corpo foi roubado, onde a quadrilha exigiu uma grande quantidade de dinheiro para a família, para que o mesmo fosse devolvido. Uma vez que os ladrões foram capturados pela polícia, a esposa de Chaplin, Oona, realizou uma grande festa, para mil policiais de Vevey. Temendo possíveis furtos do corpo, a família providenciou uma grande barra de concreto para lacrar o túmulo do artista.
Sua obra possui um valor inestimável para o mundo artístico. Chaplin é referência para muitos diretores de cinema, teatro e até mesmo de televisão até nossos dias.
Estátua de Charlie Chaplin, em Vevey.
Em 1992, um filme sobre sua vida foi feito, com o título Chaplin, dirigido por Sir Richard Attenborough, estrelando Robert Downey Jr., Dan Aykroyd, Geraldine Chaplin (filha de Chaplin, interpretando sua própria avó), Anthony Hopkins, Milla Jovovich, Moira Kelly, Kevin Kline, Diane Lane, Penelope Ann Miller, Paul Rhys, Marisa Tomei, Nancy Travis, e James Woods.
Última sessão de fotos de Chaplin

Vida pessoal

Seus sucessos profissionais tiveram reflexos diretos em sua vida pessoal por várias vezes. Em 23 de outubro de 1918, Chaplin casou-se aos 28 anos de idade com Mildred Harris, de 16. Tiveram um filho que morreu ainda bebê. Divorciaram-se em 1920. Aos 35, apaixonou-se por Lita Grey, também de 16 anos, durante as preparações de The Gold Rush. Casaram-se em 26 de Novembro de 1924, quando ela ficou grávida. Tiveram dois filhos. Divorciaram-se em 1926, enquanto a fortuna de Chaplin chegava a US$ 825 000. O estresse do divórcio somado com os impostos que não paravam terminaram por deixar os cabelos de Charles brancos.

Chaplin casou-se secretamente aos 47 anos com Paulette Goddard, de 25, em Junho de 1936. Depois de alguns anos felizes, este casamento também terminou em divórcio, em 1942. Durante este período, Chaplin namorou Joan Barry, atriz de 22 anos. A relação terminou quando Barry começou a perturbá-lo. Em maio de 1943, ela informou a Chaplin que estava grávida, e exigiu que ele assumisse a paternidade. Exames comprovaram que Chaplin não era o pai, mas na época tais testes não tinham muita validade, e ele se viu forçado a pagar US$ 75 por semana até que a criança fizesse 21 anos. Depois, conheceu Oona O’Neill, filha do dramaturgo Eugene O’Neill. Casaram-se em 16 de Junho de 1943. Ele tinha 54 anos enquanto ela tinha 17. Este casamento foi longo e feliz, com oito filhos.

Referências:

BAZIN, André. Charlie Chaplin / André Bazin; prefácio de François Truffaut; posfácio de Eric Rohmer. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
BEZERRA, Hallyson Alves (2014), "A Psicologia do Vagabundo: Resiliência e Sentido da Vida na Obra de Charles Chaplin". Revista Logos e Existência, 3 (1), 43-56.
BEZERRA, Hallyson Alves. Luzes das cidades chaplinianas: as recepções das urbs representadas na obra de Charles Chaplin (1914-1918). 2018. Dissertação. (Mestrado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Campina Grande.
BROWN, Pam. Charlie Chaplin. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1993.
CHAPLIN, Charles. Minha Vida. 15ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2011.
CHAPLIN, Charles. My Life in Pictures. Londres, Peerage Books, 1985.
CLARET, Martin. O Pensamento Vivo de Chaplin. São Paulo: Martin Claret, 1984.
CONY, Carlos Heitor. Chaplin e outros ensaios. Rio de Janeiro: Topbooks, 2012.
ROBINSON, David. Chaplin: uma biografia definitiva. Osasco, SP: Novo Século Editora, 2012.
SANCHES, Everton Luís. Charlie Chaplin: confrontos e intersecções com o seu tempo. Jundiaí: Paco Editorial, 2012.
WEISSMAN, Stephen. Chaplin: uma vida. São Paulo: Larousse do Brasil, 2010.
CHAPLIN (Movie Icons) Taschen

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